2. E agora?
Quando 2023 começou eu tinha muita certeza de como seria meu ano.
Tinha traçado um plano perfeito. Pelo menos na minha cabeça, estava tudo muito encaminhado e eu ia arrasar!
Janeiro e aquele energia de “bora, timeeee”.
Fevereiro… Ah, Carnaval, né?
Março… Mas ainda tenho que resolver isso aqui…
Abril vai! Com certeza!
Maio… E se eu repensar isso aqui?
Junho… Julho… Talvez seja melhor eu fazer aquilo que eu sempre fiz, né?
Agosto! Ah, é meu aniversário… Bom, e se eu conciliar isso aqui e aquilo?
Setembro! Para tudo.
E então, desde outubro estou aqui repensando uma vida inteira.
Eu sempre soube (ou achei que sabia) desde muito nova com o que eu queria trabalhar e com os anos fui me deixando levar por algo bem específico que jurei que daria certo: Consultoria de Moda.
E realmente, tinha tudo pra dar! Eu entendo do assunto. Estudei (e estudo) pra isso. Leio e pesquiso sobre o assunto desde que me entendo por gente.
Mas agora, com bastante tempo livre pra refletir sobre tudo, me vi perdida.
Não é facil identificar a “síndrome de impostora”. A gente vai postergando nossos sonhos por medo de julgamento. Medo de não ter apoio. Medo do que os outros vão pensar. Medo de se frustrar. E quando se dá conta de tudo isso acaba se frustrando mais do que se tivesse tentado.
Tenho pensado bastante sobre o que realmente eu tenho vontade de fazer e a resposta atual é que: eu não faço ideia. A Julia que começou 2023 tão certa de tudo, termina com mais dúvidas do que jamais teve na vida.
Outro dia, batendo papo com um amigo de longa data, me dei conta de que nos últimos 7 ou 8 anos eu entrei em um ritmo frenético de me manter 100% ocupada.
Fiz 2 pós graudações de 1 ano cada, 2 cursos de especialização, assisti incontáveis cursos online e palestras, li um monte de livros, tive filho (e esse por si só já é uma baita ocupação hahaha), tudo isso trabalhando 8h a 10h por dia (antes do home-office), sobrevivi a uma pandemia e no meio disso tudo, esqueci de parar. Simplesmente parar por algum tempo e pensar com calma. Venho ligada no 220V há anos e não me deu tempo suficiente para realmente pensar no que eu quero fazer da vida.
Sigo consumindo assuntos do mundo da Moda, continua sendo minha grande paixão. Acho importante ter alguma paixão que te traga conhecimento. Porém agora, já com uma cabeça diferente dos 20 e poucos e mesmo que de forma completamente obrigatória, me permiti pisar no freio e pensar “o que eu realmente quero fazer?”.
Dizem que algumas das pessoas mais bem sucedidas do mundo não sabiam o que fazer da vida até seus 40. Sorte a minha que tenho 7 anos ainda!

